O Bubishi é uma tradição manuscrita de artes marciais preservada no karate Okinawano. É estudado através de fontes que incluem trabalhos de dissertação da Okinawa Prefectural University of Arts, registos da National Diet Library no Japão, material de arquivo de Fujian e Fuzhou na China, e referências médicas clássicas preservadas em coleções institucionais japonesas. Em vez de um único texto místico de técnicas secretas de morte, a pesquisa descreve-o como um documento de trabalho compacto e transmitido que combina material marcial chinês com vasto conhecimento médico e farmacológico.
Natureza do Texto
O Bubishi preservado no karate Okinawano não é a mesma obra que a grande enciclopédia militar Ming de Mao Yuanyi, o Wubeizhi, apesar do elemento de título partilhado que enganou muitas pessoas. A pesquisa Okinawana descreve um compêndio distinto, muito mais curto, manuscrito, de cerca de dez mil caracteres, organizado em vinte e nove unidades, com setenta e duas ilustrações. A sua escala identifica-o como um manuscrito transmitido privado, em vez de um compêndio militar impresso monumental. O material Okinawano descreve a sua transmissão como shishi sōden, transmissão de mestre para discípulo, um modo de sobrevivência em que os textos viajam através da memória, cópia, erro, omissão, rearranjo e ênfase.
Um arquivo vivo de conhecimento marcial, não um manual, mas um corpo de pensamento transmitido entre praticantes sérios.

Linhagens de Manuscritos
A pesquisa não apresenta um único Bubishi definitivo, mas identifica quatro grandes linhas de manuscritos: a linha Tensonbyō, a linha Matsumura Sōkon, a linha Itosu Ankō e a linha Go Kenki. Estas representam famílias de textos com diferenças de cópia, omissões e alterações estruturais em formas impressas posteriores, refletindo a cultura manuscrita em vez de uma única escritura fixa.
Conteúdo Médico e Farmacológico
Uma grande parte do Bubishi não se preocupa com o combate. A pesquisa Okinawana é clara ao afirmar que o texto combina material marcial chinês, especialmente de contextos de Fujian White Crane, com extensas passagens médicas, terapêuticas e farmacológicas. Material de pesquisa aberto indica que mais de metade do conteúdo se enquadra no território da cura e farmacologia, e que esse conhecimento foi transmitido tanto através de texto quanto de diagramas. Referências usadas para enquadrar esta análise, incluindo material clássico como o Huangdi Neijing Suwen e compilações ilustradas de acupuntura, colocam o Bubishi dentro de um mundo de conhecimento mais amplo do Leste Asiático de mapeamento corporal, teoria médica, pontos, canais e tradições terapêuticas, sugerindo que a sua lógica de pontos vitais se cruza com sistemas estabelecidos de mapeamento anatómico e médico.
Conexões Religiosas e Culturais
Um fio religioso e cultural percorre o texto na figura de 九天風火院三田都元帥. A pesquisa Okinawana identifica esta figura como Daoista ou religioso-popular, reverenciada particularmente em Fujian e Taiwan. O material de arquivo de Fuzhou acrescenta que em Fuzhou esta figura funcionava como uma divindade de proteção teatral e ritual, um xishen ou deus do palco, honrado com o título 会楽宗師. A contribuição de Fuzhou observa ainda que o culto de Tian Yuanshuai se havia espalhado para Nagasaki e Sudeste Asiático pelo menos no século XVIII, colocando o Bubishi dentro de uma rede mais ampla de tráfego cultural transregional através de Fujian, Fuzhou, Taiwan, Nagasaki, Ryukyu e Sudeste Asiático, na qual a cultura de combate se sobrepunha à performance, religião, ritual e medicina.
Conexão com o White Crane
A ligação ao White Crane é apoiada por evidências, embora permaneça matizada. Fontes oficiais de património chinês de Yongchun reconhecem o Yongchun White Crane dentro de estruturas culturais protegidas, e material do governo local preserva a narrativa de origem associada a Fang Qiniang. Embora as narrativas de património não sejam o mesmo que prova histórica definitiva, elas localizam o White Crane dentro da tradição regional relevante. A dissertação Okinawana observa que, dentro dos contextos de Fujian White Crane, existem nomes de formas correspondentes às formas de karate Okinawano, o que indica vocabulários sobrepostos e terreno conceptual partilhado, em vez de uma cópia integral de cada kata de uma única fonte chinesa.
Circulação e Evidência Bibliográfica
O Bubishi parece ter-se tornado mais visivelmente circulado em Okinawa por volta de 1930, durante o período em que o karate estava a passar por consolidação institucional e modernização através de escolas, associações, sistemas de nomenclatura, demonstrações públicas e formalização. A publicação de Mabuni Kenwa de 1934, que inclui um apêndice marcado como o livro secreto "Bubishi", é bibliograficamente confirmada através da National Diet Library, embora o acesso digital seja restrito. Uma edição japonesa de 1986 de Otsuka Tadao, supervisionada por Yang Ming-shi, também está catalogada. Estes fornecem âncoras firmes na cultura de impressão japonesa, mesmo que o acesso a alguns materiais primários permaneça restrito.
Questões Não Resolvidas
A pesquisa é explícita quanto aos seus limites. A rota pré-1930 pela qual o material se moveu do Sul da China para Okinawa não está totalmente documentada numa cadeia arquivística limpa, a autoria exata não está estabelecida, e a identidade precisa de cada ancestral do manuscrito não está fixada. A terminologia varia, e até o nome do texto muda conforme o contexto, aparecendo como Bubishi, Okinawa-den Bubishi, e em material relacionado com Fuzhou como Youhe Quanlun ou "o Bubishi Ryukyuano". Tal variação é característica de textos que se movem através de línguas, regiões e linhagens. No geral, o Bubishi emerge como uma tradição manuscrita marcial Okinawana, baseando-se fortemente no conhecimento de combate de Fujian, com camadas de material médico e farmacológico, transmitido de mestre para discípulo, visível em múltiplas linhagens textuais, ancorado em evidências bibliográficas japonesas até 1934, e entrelaçado com um mundo ritual e cultural mais amplo.